Estamos sempre de partida. Mas, é bom regressar. Escrevo, agora, de outra vida. Está tudo bem. Talvez já haja mais alguma coisa para dizer, algo melhor. Tudo devido a um talismã. Hoje ouvi este disco outra vez.
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Este blog está de luto e sem as palavras certas. É melhor não dizer nada.
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Já não sei quem* é que citava uma frase muito interessante do Solnado no outro dia que dizia algo como isto: “quando saio de Lisboa não tenho saudades, tenho ciúmes” (cito de memória). É uma frase que reflecte muito da relação de posse que estabelecemos com as cidades e que vai gerar a dicotomia entre o amor e o ódio. Umas vezes amo-te, outras odeio-te. Porque és arrogante e te deixas assediar por uma coolness qualquer e já não queres saber de mim, ou de nós. Porque às vezes és fria e distante nos piores momentos e aquilo que me fascina em ti desaparece no instante em que ignoras os meus passos. Lisboa, i love you but you’re bringing me down.
*Afinal já sei quem foi. Foi o Nuno, claro.
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Fiz 600 km’s, gastei 42€, agravei uma gripe, dormi duas horas e não consigo respirar. Também eu tenho os meus caprichos motivos para pôr em causa a democracia.
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Uma falha enorme. Este ano ainda não lhe dedicámos nenhum post num frenesim canibalista. Nunca é tarde para repetir até à exaustão que te quero morder as mãos.
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Dantes acreditava que os homens se organizavam em sociedade porque partilhavam necessidades e delas nascia um conjunto de princípios que definiam, por sua vez, um conjunto de deveres e direitos. Hoje, quando vejo que à minha volta já ninguém defende princípios mas sim interesses egoísticos, começo a acreditar que já não é de uma sociedade ampla que se trata, mas sim de um aglomerado de tribos não dispostas a ouvir ou a ceder.
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Some women wait for Jesus, and some women wait for Cain
so I hang upon my altar
and I voice my acts again.
And I take the one who finds me back to where it all began
when Jesus was the honeymoon
and Cain was just the man.
And we read from pleasant Bibles that are bound in blood and skin
that the wilderness is gathering
all its children back again.
Leonard Cohen
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No final do séc. XIX o oeste americano era demasiado selvagem para haver bons e maus com a definição de um filme de caubóis. Os xerifes deixavam-se corromper pelos capitalistas locais e os fora-da-lei eram muitas vezes vítimas dessa circunstância. Assim foi também com Billy, The Kid. Nem anjo, nem demónio, apenas “um homem e a sua circunstância” num tempo muito peculiar.
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Já os imagino a olhar para a minha página do Facebook. Preferem o espanto do seu medo à certeza da libertinagem do meu humor. E nas suas cabeças confirma-se tudo: “Pois… aquilo de gostar de poesia e dos amores platónicos… Eu logo vi.” São pessoas que não me vêem há anos e que nunca compreenderam a diferença, nem dos heterossexuais, quanto mais dos homossexuais. Agora confrontam-se com uma dúvida porque só debaixo dos lençóis é que sabem pensar. Vou deixá-los com a dúvida e uma sugestão: Mateus 5:3.
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Nem todas as notícias de início de ano são más. Há boas surpresas, a começar pelo disco de estreia de Anna Calvi. Não ganha apenas pela sonoridade que o Guardian tão bem descreve, mas tem também elementos estéticos de ir ao céu, sendo a escolha do backline muito apropriada. A escolha da tele ou da gretsch é sempre apropriada. E assim se descobre o amor em 2011. Façam bom proveito.
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É quando a imagem aterradora e desumanizada do mundo se revela que a religião recupera os seus terrenos. Pois é nesse preciso momento que eu vou perdendo a minha, à medida que os pássaros caem do céu e as águas invadem a terra – os sinais de que Deus é algo maior sem intermediários. Então, mudo a direcção.
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obrigado, you sweet devil, you
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Os dramas são para quem se leva a sério demais. É claro que todos nós sofremos muito e há muita dor por aí espalhada – uma maçada. Mas há que enfrentar as circunstâncias com alguma clarividência e lucidez. Por isso devemos ignorar o imediatismo das acções dos outros. Não nos incomodemos com ataques e euforias momentâneas. Faz tudo parte de um grande bolo e nós só temos de pesar os interesses. Os nossos, claro. O egoísmo não é mau por si só.
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Ali ao lado há uma coluna destinada a locais que devemos sempre visitar ou consultar. Pacheco Pereira chama-lhe dinamite cerebral, expressão um tanto ou quanto pretensiosa. Há quem diga tonta. Mas ideia está lá, matéria que nos revolucione cá dentro; matéria que nos torne mais fortes e esclarecidos, que nos eduque e ao mesmo tempo que nos dê prazer. A última a ser acrescentada foi The Plant List, uma base de dados que não serve só para disponibilizar conhecimento enciclopédico, mas que pretende ajudar-nos a conhecer e a compreender o que está à nossa frente.
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Há uma altura nas conversas dos adultos em que o tema falha. Os interesses são diferentes e por uma mera coincidência cósmica as pessoas acabam por estar no mesmo espaço físico. É então que a única solução passa por falar em negócios. Pior que uma conversa de elevador ou qualquer outra que tente safar o silêncio constrangedor, esta conversa de circunstância determina apenas uma coisa: já não nos sabemos maravilhar com a simplicidade e perdemos o restinho de humanidade dos 18 anos.
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Precisamos de uma atitude contra o ressentimento. É isso mesmo, tal como disse o Nuno tantas vezes e ninguém lhe ligou. Não se pode viver assim, sempre insatisfeito e a colocar nos outros o peso das nossas castrações. Queixas e mais queixas e nem um espaço para um relaxamento sentido. Falo de um “não quero saber” e não de um “quero lá saber dos outros”, porque esta segunda expressão carrega já em si o ressentimento na existência dos outros. Chega de querer ser isto ou aquilo, de querer ter ou pertencer. Chega de invejar em silêncio com um boneco de voodoo na mão. É tempo de existir sem resignações mas com uma atitude com carácter. Porra, só não somos mais felizes porque alimentamos precisamente o contrário.
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