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Posts Tagged ‘estações’

ela

é a única estação de género feminino, precedida pelo deprimido inverno e à qual sucede o verão moreno e depilado. poderá ter-lhe sido concedido o género pelo seu perfume fresco e sensual. mas, é no seu temperamento inconstante que mais se assemelha à tendência feminina. entre as noites suaves e doces e o frio lancinante. entre as tardes soalheiras e as águas tardias e implacáveis. é o fim do tédio e o nascimento do desejo e do prazer; dos dedos cravados na pele e dos corpos quentes entrelaçados na madrugada.

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as flores do mal

Por detrás dos muros do Palácio, há uma rua com jacarandás. Os jacarandás anunciam, agora, a chegada da Primavera tal como sempre a conhecemos. O sol aquece o dia, ainda alto, e o calor que se faz sentir é rápido. Ainda assim, hoje senti o primeiro cheiro da Primavera. Regressou alguma passarada e estão, também, de volta as roupas ligeiras. Ao meu lado, ele lamentava as perdas irreparáveis no seu olival e na vinha – consequências da falta de chuva. Também os carros ficarão imundos por causa dos jacarandás e os danos serão irreparáveis se sobre eles não cair um peso de água. Sim, é verdade: aí está a Primavera. Mas, isso não é necessariamente bom.

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a dança

Era a noite mais longa de todas as noites e a rua brilhava com a chuva. Ouviam-se botas a bater na calçada e as pernas mexiam-se num compasso rigoroso. Por toda a cidade um movimento harmoniozo que aceita o inverno e devolve a humildade da dança. Dura como pedra, a canção entoava, então, como se todos a estivessem a ouvir.

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golpe baixo

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dead combro

Não me apercebi do tamanho do frio até ela passar por mim com a face rosada e a pele branca quase a desaparecer por entre o cachecol verde e a boina castanha. Era um frio muito grande. Enfiei as mãos nos bolsos do casaco enquanto voltava a olhar e sorri, porque convém sempre sorrir com as dádivas da invernia. Desci e, de repente, um nevoeiro cerrava toda a colina da frente como se fosse ali decretada a morte da calçada, o fim derradeiro da vertiginosa rua que outrora se estendera até S.Bento. Nunca antes assistira a tal coisa – uma Lisboa londrina para sempre.

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tempo e espaço

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