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Archive for Outubro, 2012

timelapse

Dormir, para voltar a acordar, para voltar a dormir, para acordar novamente. Pelo meio, umas horas com sol ou com chuva, a luz a mudar devagar, as pessoas a irem de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Abre a porta, fecha a porta, abre a porta, fecha a porta. Próxima paragem. Sempre assim, sempre assim. Um tédio.

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morning glory

Acordei cedo, com a cabeça ainda a balançar, na dança do equilíbrio. Não comi nada e saí. Visitei uns amigos na Rua da Prata e encontrei-me, já pela hora do almoço, com uma família que eu próprio escolhi, de certo modo. Depois do almoço, a cabeça continuava a latejar e, então, decidi voltar a casa. Estendi-me no sofá e coloquei um western do Sam Fuller. Decidi não jantar. Ainda ouvi dois discos, mas estava uma canção latente na minha nuca. Não sabendo bem porquê, procurei ouvi-la. Foi então que percebi que estava na altura de celebrar o rapaz que ficou lá para trás, numa manhã gloriosa, sem rugas. Nunca alguém disse que ia ser fácil. Agora, que a noite caiu, mais cedo que nos outros dias, estou aqui sentado a manifestar a vontade de acordar.

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out in space

sentir a falta da terra, dos pés na terra, da solidez dos dias, das certezas e das convicções, dos dogmas e do pecado tolerável. este blog faz anos, por esta altura. já não sei bem quando. será sempre recomendável dizer que é possível que ainda demore algum tempo até voltarmos para casa.

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uma desilusão

Uma luz celeste saiu por detrás dos prédios quando começou a canção de Gardel. Dois homens, distraídos, continuaram a conversar e os gatos ficaram estáticos e cândidos. Lembro-me, vagamente, de ter sentido um estranho toque do metal, como se fosse domingo. Mas não me lembro de não haver Deus. Sonhei que estaria, talvez, em Paris. Afinal, era apenas Buenos Aires.

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streetwalk

O primeiro dia de gabardine deveria ser um dia feliz. Mas não é. Porque os neons não deixam, porque a chuva magoa e os passeios é que marcam o compasso, porque os carros não param e porque tudo o resto é um movimento repetido, quase estático. E só tu achas que estás em Nova Iorque.

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nos dias cinzentos

o problema da resignação é um resquício agudo de angústia que fica lá, sempre. não há nada a fazer. é assim mesmo. carry on. mas por mais que a directiva funcione, fica esta sensação de indefinição. por mais que se tente.

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the american dream

Pouco depois de começarmos a conversar, o rapaz arrependeu-se de estar bêbado. Tinha, talvez, por hábito encharcar-se em cerveja nas noitadas com os amigos, porque pouco mais haveria entre eles para além da identidade. “Come and drink with us, Chris”. O jovem militar mostrou algum embaraço e voltou a pedir desculpa. Falámos um pouco mais de geografia e das coisas que simbolizam. No fim, disse-me que eu deveria ir viver para North Carolina. Voltei para casa e pus-me a procurar na internet. Fazia isto muitas vezes, dantes. Passei horas a ver fotografias da província americana. Sonhei com o Ohio do Neil Young e com o Arizona de John Ford. Eu, que nunca passei qualquer fronteira.

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