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Posts Tagged ‘conservadorismo’

no meio da mudança, uns estão genuinamente perdidos, outros fingem não estar. estes últimos nunca entenderão que só a assumpção do desnorte nos obriga a encontrar o rumo. parecerão fortes – sim – nas salas vazias.

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Houve um tempo em que viajava com o meu pai. Ficávamos em hotéis e jantávamos todos os dias fora. Durante o dia, ele visitava clientes e eu ficava à solta por Lisboa. E lá ia eu, na 5 de Outubro à Av. de Berna, com todo o tempo. Tentava parecer um local: andar cool, lento, despreocupado mas observador. Sonhava, então, em ser qualquer coisa que me permitisse sair do trabalho e sentar-me num bar, com os amigos, a beber um uísque. Sim, quando for grande quero ter o prazer de sair do trabalho, todos os dias, e ir aproveitar a cidade. Ser adulto significava essa liberdade de estética conservadora e melancólica. Ficava fascinado com os bares dos hotéis: as raparigas a fazer conversa com os homens de negócio, de pernas cruzadas, em constante sedução; o fumo lânguido dos cigarros; os copos Old Fashioned a reluzirem. Achava eu que seria assim, com todo o tempo. Mas, depois, um tipo cresce e há compras para fazer e jantar em casa, há o cansaço e as horas extra. A grande ilusão é a de que conseguimos ser igualmente conservadores aos 15 e aos 30.

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horizonte

Tenho pensado em mudar-me para a província. Este poderá, até, ser um bom plano para um futuro próximo. É claro que fica sempre bem querer mudar para o campo no estrangeiro, já que o campo, por cá, é bruto, pouco sofisticado e aborrecido. Ainda assim, continuo a preferir o sossego da lezíria. E não é que algo me mova contra a cidade mas, sou mais um rapaz do campo do que um homem da cidade. Não tenho jeito para agendas, estacionamento e trânsito de rotina; não me adapto às novidades e é raro suportar as conversas da urbanidade. Gosto do tempo sem desperdício e de aproveitar as horas a passarem no horizonte.

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Dantes

Dantes acreditava que os homens se organizavam em sociedade porque partilhavam necessidades e delas nascia um conjunto de princípios que definiam, por sua vez, um conjunto de deveres e direitos. Hoje, quando vejo que à minha volta já ninguém defende princípios mas sim interesses egoísticos, começo a acreditar que já não é de uma sociedade ampla que se trata, mas sim de um aglomerado de tribos não dispostas a ouvir ou a ceder.

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Diz-se que dois dias é pouco para visitar cidades com muitos monumentos e outros locais históricos. Não concordo. É mais do que suficiente, basta ter um plano bem organizado. Dois dias é o suficiente para gastar dinheiro numa viagem a um lugar estrangeiro para visitar monumentos. Seria realemnte pouco se se tratasse de uma viagem em que o objectivo é experimentar uma vivência socio-cultural diferente. Não vale a pena vir ao Porto por dois dias porque nada verão. É uma cidade sem monumentos, mas é uma cidade monumental e isso precisa do seu tempo para ser saboreado.

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Não é fácil ser cool na internet. Por esta altura a discussão mais forte é sempre a que está entre a dicotomia amor/ódio do Natal. Que fazer? Uns animam blogs com floquinhos de neve a cair sobre o texto (muito lindo!), outros não conseguem evitar uma canção de Natal por dia, no mínimo. Há quem prefira a fotografia das iluminações das cidades ou então quem opte pela exposição dos seus desejos mais materialistas. No fim acabam todos a fazer promessas e juras de solidariedade. Do outro lado da barricada estão os que, muito resumidamente, consideram tudo isto “uma tremenda foleirada”. E agora, ainda por cima, há o Facebook. Deus nos salve a todos!

Gostamos de fazer juízos sobre as escolhas dos outros. Ainda bem que assim é. Mas o excesso na linguagem – e daqui fala um excessivo – do tema científico “Natal” destrói-nos pela vulgaridade da coisa, pela sua superficialidade. Gosto do Natal. Gosto do cheiro das ruas e da luz artificialmente celeste das iluminações. Gosto do tom confortável da minha casa. Gosto dos poemas do David Mourão Ferreira e das canções dos crooners ou até mesmo das rockalhadas de Chuck Barry. Mas, não é cool chatear as pessoas por causa disso. Faço-o na intimidade, como uma religião só minha.

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O amolador passa lentamente pelo feriado soprando na flauta de pan com a desmotivação dos tempos. Não se vê ninguém à janela. Quem quer saber do amolador de facas no tempo da Bimby e do Ikea. Os guarda-chuvas?! Ou já perdemos a paciência e os largámos na rua ou então estimamo-os demasiado para os destruir. E lá passa ele como o cortejo fúnebre de um mal-amado. Já mal o ouço… E pronto, foi-se. Agora que me dava tanto jeito afiar as facas do peixe…

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