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Archive for Agosto, 2012

trimm trabb

os meus ténis são verdes e amarelos. às vezes, quando olho para eles, nos dias cinzentos, lembro os dias de sol. são dias que se acabam, luz que expira. ficam só a memória e os ténis verdes e amarelos. e já não se pode voltar atrás.

“I’ve got trimm trabb
Like the flash boys have
And I can’t go back
Let it flow, let it flow
I sleep alone”

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Muitos recordam Lorca pela sua personalidade política. Outros tantos lembram a sua aficción e tudo o que deu à cultura dos toiros. Porém, Lorca, mais do que um homem foi um grande poeta, que é o que lhe vale a imortalidade. Federico escrevia com tudo o que os seus olhos alcançavam: desde a grande planície andaluza, até à vida que escorre pelo asfalto de Nova Iorque. Sonhou com o mundo tal como o via, e não como gostaria que ele fosse, e sobre ele escreveu lentas valsas de amor trágico. Querido Federico, queria dizer-te que estás sempre por perto.

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elvis

Às vezes punha-me escondido atrás dos carros a vê-los tocar. Sentava-me, fechava os olhos e sonhava com a América. O finger picking do Mário fazia-me imaginar um longo comboio preto que partia em direcção a um outro mundo. Cresci a vê-los tocar o Mistery Train. Em casa, juntávamo-nos para ouvir os discos do Rei e dançávamos, abanando as pernas, os joelhos a colidir, o pé a bater. Ah! a voz do Elvis a encher-nos de alegria e de intuição. Fomos todos tão novos.

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chuvas de agosto

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falar do tempo

L. não leva a conversa sobre o tempo de ânimo leve. Sempre que o encontro, na hora do almoço, fala-me da influência das nortadas no sucesso do turismo balnear. Se o sol se apresenta mais forte, não hesita em trazer à colação os riscos da seca e a grande problemática agrícola. E ao contrário do que seria de esperar, não evito o comentário meteorológico na sua presença. Nunca gostei de conversas de conveniência.

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vício colectivo

Uma aposta colectiva recente, num jackpot, levou os meus colegas a imaginarem uma vida de milionário que não envolvia, como seria de esperar, trabalhar. A receita da aposta foi, porém, curta. Sugeriu-se, então, uma nova aposta a partir do remanescente. Todos concordámos. No caminho de casa, também eu imaginei o que seriam três dezenas de milionários numa empresa que, de um momento para o outro, decidissem abandonar o barco. Às dezenas de milionários seguir-se-ia a queda de uma empresa por falta de colaboradores. Talvez por isso a aposta tenha sido mantida num falso sigilo “don’t ask, don’t tell”.  Um vício colectivo.

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Esperei por Karen uns metros à frente da estação de Gayrettepe. O caos, nas costas, com os semáforos avariados. A camisa colada à pele. Não há sombra que nos safe. Da boca do metro saem dezenas de raparigas prontas para casar, em direcção aos escritórios dos pretendidos; pequenas Hepburn’s, compenetradas no papel, que esqueceram o ramadão e procuram a montra da Hermés em hora de reza. Na minha cabeça soa I’m so bored with the USA e Karen surge no meio do calor, como quem traz a civilidade fútil de Time Square no bolso, o que lhe vale ficar retida à entrada do Astoria. O detector apitou e voltou a apitar. Enquanto tira o seu universo da mala, a americana insurge-se contra a disparidade nos critérios de segurança e só pára de falar quando o empregado lhe despeja o menu nas mãos. Javier está atrasado e a conversa das indignações regressa. Porque a América é que é. Os meus olhos começam a seguir uma cortina de fumo que se ergue sobre Besiktas. Imagino as sirenes lá fora, estridentes, os taxistas precipitando-se pelas ruas e os peões a desafiarem a vida. Seja o que Alá quiser. Ao longe, vejo então o Polat em chamas, a beleza do progresso a arder no meio da urbe. Por esta hora, Eminonu estará calma e serena, já só com meia dúzia de vendedores persistentes. Karen assusta-se, preocupada com Javier. Parece quase um bom início de anedota: um português, uma americana e um espanhol… Agita-se na cadeira procurando informações no telefone e pergunta indignada como quer este país ser europeu. O calor passa, enfim, mas na minha cabeça Strummer continua a cantar.

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