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Posts Tagged ‘notas’

os malefícios da fama

Mozart tem vivido uma situação muito complicada. O seu prestígio é alvo fácil de actos de comércio. O seu talento é caricaturável. A sua honra desvaneceu-se no tempo. Quando comentei isto com uns amigos, disseram-me sem hesitar: “Ah! Tal e qual o Michael Jackson.” É uma crise séria, a que enfrentamos. Urge salvar Mozart.

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nos dias cinzentos

o problema da resignação é um resquício agudo de angústia que fica lá, sempre. não há nada a fazer. é assim mesmo. carry on. mas por mais que a directiva funcione, fica esta sensação de indefinição. por mais que se tente.

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o que será?

estou há horas em frente ao computador para encontrar uma citação. qualquer coisa. uma crónica, um poema, uma frase perdida por aí. qualquer coisa que contenha as palavras certas para esta inquietação, este desconforto indescritível. como uma música que fica dentro de nós, a querer sair, um beat latente, na nuca, mas que acaba por nunca encontrar expressão, que nunca encontra um cais; que fica à deriva, cá dentro. é, talvez, uma angústia. ou é, simplesmente, domingo.

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da relatividade

a distância mais curta entre dois pontos é a disponibilidade.

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um alimento

sempre que tenho saudades de alguém sinto um aperto no estômago. como se todas as faltas se dirigissem para lá. ou então, no fundo, a companhia é um alimento.

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prioridades

a grande prioridade deve ser, sempre, definir o caminho, identificando o seu sentido. não vale a pena inventar atalhos para atingir um objectivo. se já erramos tantas vezes nas acções, é bom que nos mantenhamos bem focados no propósito de tudo isto.

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egocentrismo

O que são as coisas?

As coisas são o que são: o amor, o ódio, o vinho, a verdade, a música, a violência, a generosidade. Todas elas, substantivos manipulados por um sujeito para determinado predicado. As coisas são o que fazemos delas.

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con toda palabra

há sempre, nas minhas palavras, um sentido dúbio. nunca sei muito bem o que estou a dizer. mas dizer é, em si e por si, uma forma de dar forma às coisas.

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vivo

nunca senti ânsia de regressar a um lugar. a minha ansiedade concentra-se nos rostos e na cumplicidade dos gestos. o que distingue os lugares das pessoas é isso mesmo, a cumplicidade, a reciprocidade. a memória do que sentimos com os gestos e com os rostos não desaparece. se ela desaparece, ou quando simplesmente não nos provoca a vontade, é porque não há nada que nos ligue. somos um produto inacabado do acaso. mas, quando a cumplicidade existe, quando ela é real, nasce uma ansiedade estúpida e incontrolável dentro de nós. é a vontade de repetir e de gostar de gostar. o suficiente para estarmos vivos.

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lua nova

Os dramas são para quem se leva a sério demais. É claro que todos nós sofremos muito e há muita dor por aí espalhada – uma maçada. Mas há que enfrentar as circunstâncias com alguma clarividência e lucidez. Por isso devemos ignorar o imediatismo das acções dos outros. Não nos incomodemos com ataques e euforias momentâneas. Faz tudo parte de um grande bolo e nós só temos de pesar os interesses. Os nossos, claro. O egoísmo não é mau por si só.

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homens de negócios

Há uma altura nas conversas dos adultos em que o tema falha. Os interesses são diferentes e por uma mera coincidência cósmica as pessoas acabam por estar no mesmo espaço físico. É então que a única solução passa por falar em negócios. Pior que uma conversa de elevador ou qualquer outra que tente safar o silêncio constrangedor, esta conversa de circunstância determina apenas uma coisa: já não nos sabemos maravilhar com a simplicidade e perdemos o restinho de humanidade dos 18 anos.

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A fronteira entre a auto-comiseração e o auto-sarcasmo é muito curta. Para fora parece sempre que nos estamos a queixar, quando na verdade estamos a expurgar. A expressão intimista que adopto é, nesse sentido, a contemplação de uma beleza em que, na realidade, já não me sinto capaz de acreditar – a minha impossibilidade técnica ou o que está por trás desse auto-sarcasmo diário. Tenho, hoje, a estrutura mental de um cínico e Avalon é como uma desintoxicação, antes que seja tarde demais.

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teenage riot

Antes de morrer de tédio ou do amor, que é uma coisa que se dá muito em pessoas parvas, queria aqui deixar um testemunho importante: a melhor coisa do mundo são os adolescentes. Não há nada como ver um adolescente crescer, autodeterminar-se glosando  as novas linguagens, adaptando-se e criando a sua personalidade a partir do mundo. Mas só quando o deixam. Ninguém tem o direito de pensar por ninguém, principalmente por um adolescente. As consequências são uma das partes belas dessa existência.

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poetry must be on tv

A poesia é, para muitos, como um acto pudico de sexualidade; como quem se envolve em segredos onanistas, longe dos olhos da censura e da reprovação. O quê, gostar de poesia? Eu tenho namorada, por amor de deus! A poesia é o fundo da lamechice. Ou a poesia é uma foleirice da populaça. Milhões de páginas escritas pelo mundo esmagariam este desprezo. Vinha a pensar nisto no carro enquanto ficava parado na via rápida. Não sei porquê. Talvez porque, por vezes, me apetece deixar aqui escritas coisas que acabo por não publicar por receio daquela reprovação. É o meu onanismo secreto.

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espectacular idade

Nos arredores dos 30 sentimos um certo problema de equilíbrio. Somos demasiado novos e demasiado velhos. Como dizia Buckley “too young to hold on and too old to just break free and run”. É excesso de vontade misturado com a falta de pernas. Há quem não aguente e perca a noção do ridículo. Há quem acumule tensões e deprima. Chamam a esta gente os pré-adultos, mas nunca ninguém lhes explica que a angústia não passa no estádio seguinte.

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civil rights II

Quando a obrigatoriedade ideológica prevalece sobre a dinâmica natural da civilização só a coragem do bom senso e da intolerância à ignorância pode furar. A isso também se chama liberdade.

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tecnicamente

Migrar é uma excelente forma de declinar convites, mas nesta matéria não há nada como morrer. É que há sempre alguém que não compreende.

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A ilusão nataliana

Odeio o kitsch e desprezo o trendy. Quem dá valor a estas coisas não dá valor à arte. Estas são características semelhantes às da fanfarronice e da futilidade arrogante e que, no fundo, não deixam de ser uma ignorância mais sofisticada. Ninguém tem o direito de usar a ilusão dos outros e a falta de sentido de realidade para seu gozo pessoal e exibicionismo macabro.

Natália de Andrade faz lembrar aqueles miúdos que hoje entram em concursos de talento na televisão, empurrados pelos pais, na cegueira da fama. É-lhes dada a ilusão do talento, do seu próprio talento, e neles é projectada uma expectativa doentia. Depois, como Natália, crescem nessa ilusão que se alastra até à total perda de noção da realidade. Então, só restam dois finais. No primeiro mantêm a ilusão até à hora da morte. No segundo são confrontados com o ridículo através do gozo alheio.

Mas que direito tem alguém de ridicularizar a ilusão? E será que, até mesmo no limite da humanidade, deverá ser alguém afastado da sua ilusão e atirado para um mundo que – entenderá, então – não o quer?

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Não se pode pretender divulgar e retirar conhecimento de um grupo de pessoas especificamente constituído para esse efeito quando se torna evidente que a vontade de contribuir é quase nenhuma, restando a necessidade de exibicionismo. Quando se está demasiado ensimesmado não há qualquer circulação de conhecimento e a cultura torna-se algo fútil.

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Outras lições

Ninguém quer saber daquilo que tu sabes, mas sim do que consegues fazer com aquilo que sabes.

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