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Posts Tagged ‘bom gosto’

Não é fácil ser cool na internet. Por esta altura a discussão mais forte é sempre a que está entre a dicotomia amor/ódio do Natal. Que fazer? Uns animam blogs com floquinhos de neve a cair sobre o texto (muito lindo!), outros não conseguem evitar uma canção de Natal por dia, no mínimo. Há quem prefira a fotografia das iluminações das cidades ou então quem opte pela exposição dos seus desejos mais materialistas. No fim acabam todos a fazer promessas e juras de solidariedade. Do outro lado da barricada estão os que, muito resumidamente, consideram tudo isto “uma tremenda foleirada”. E agora, ainda por cima, há o Facebook. Deus nos salve a todos!

Gostamos de fazer juízos sobre as escolhas dos outros. Ainda bem que assim é. Mas o excesso na linguagem – e daqui fala um excessivo – do tema científico “Natal” destrói-nos pela vulgaridade da coisa, pela sua superficialidade. Gosto do Natal. Gosto do cheiro das ruas e da luz artificialmente celeste das iluminações. Gosto do tom confortável da minha casa. Gosto dos poemas do David Mourão Ferreira e das canções dos crooners ou até mesmo das rockalhadas de Chuck Barry. Mas, não é cool chatear as pessoas por causa disso. Faço-o na intimidade, como uma religião só minha.

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* juntando-me ao Rui Herbon, ajudo à compreensão da vida a partir do psicadelismo conservador.

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O rock’n’roll, apesar de estar no saco da música popular contemporânea, não tem uma natureza intimamente pop nem tecnicamente erudita ou virtuosa. O rock é, por tendência, marginal. Daí que não faça sentido avaliar um artista ou um grupo pela sua qualidade técnica, mas sim pela sua força e impacto.

Vem isto a propósito de um showcase dos Dead Weather. Serious rock’n’roll.

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temos visto este fenómeno com os livros, ultimamente. bolaño, mccarthy, pacheco e por aí fora. há uma ânsia muito grande em saber o que é para não se ficar mal perante os nossos semelhantes. disse sempre isto em relação à música. gostar genuinamente de algo não é ir a correr à procura. não há necessidade disso. a estética do conhecimento parece ser muito sedutora, mas temos de saber pôr-lhe um travão para que não percamos a nossa identidade. as coisas são o que são para nós e não por causa dos outros. e como em tudo na vida, o acaso sabe sempre melhor do que a vergonha (a vergonha de não conhecer e ir à procura pela calada).

uma mulher a quem desejei sexualmente de forma escabrosa disse-me um dia: “adoro livros”. sem qualquer especificação ficou-se pela estética do conhecimento. “só compro livros no alfarrabista”, continuou. o seu maior receio era que os interlocutores a reprovassem. na sua cabeça o silêncio sobre determinada matéria significaria ignorância. como tal preferiu o disparate fútil. (mas não foi por isso que deixei de a desejar, a amiga tinha uma pele mais interessante). este comportamento, ainda que mais radical, denuncia todo um padrão.

sobre a frase “mais vale ler porcaria do que não ler” (o que vale para qualquer outra arte) tenho uma interpretação muito pessoal. não é tanto o ler ou deixar de ler, mas mais o fazer as coisas com convicção, ter critérios, ainda que o consumo seja pequeno. quando fazemos as coisas de uma forma genuína pensamos melhor, somos mais nós próprios; crescemos melhor, com o carácter fortalecido. é isso que é a cultura.

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“John Lennon, Lady Di or Elvis Presley?

The Pogues. Or Suicide. Or Bob Dylan. Well, but let’s not be pretentious: Elvis forever. Elvis and his golden voice, with a sheriff’s badge, driving a Mustang and stuffing himself full of pills.”

Roberto Bolaño

“Tem muita lembrança de Portugal. O meu filho português, que nasceu quando eu morava aí em Portugal, o Bentão – tem o nome do ex-guarda-redes do Benfica e da Selecção – , já está, senão me falta a memória, com 28 anos. Ah, Portugal…”

João Ubaldo Ribeiro

aqui, virtual e física, respectivamente

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