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Archive for Novembro, 2010

75 anos

O que me distingue de Pessoa é que, a mim, mais de 100 mil pessoas já me leram e ninguém me reconheceu génio e a ele menos de 100 mil o leram e para lá do milhão lhe reconhece o génio.

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Não há novidades. Não às novidades! Nas cidades pequenas quer-se tudo muito igual. Mantenha-se para que sobreviva às ameaças do mundo. A mudança está nas caras envelhecidas que escarram pelas ruas, zonzas de olhos vidrados. Outros foram os tempos de boémia e deboche de violência. Mais além, um grupo de rapazes vai cuspindo para o chão, que é diferente do escarrar, porque o cuspir é um acto voluntário de afirmação e o escarrar uma inevitabilidade da saúde e da falta de consciência mórbida. Não fazem mais nada senão cuspir e ali ficam encostados à montra da papelaria, mesmo ao lado da escola, a meterem-se com os putos e mandar piropos a miúdas com menos 6 ou 8 anos, convencidos da magnitude que os velhos julgavam ter na sua idade e que acaba na mais deprimente das decadências. Joel sai do tasco da esquina e dobra-a por instinto. Vai de cabeça baixa e andar arrastado com as mãos metidas nos bolsos do casaco de um fato de treino com mais de 15 anos. Eram daqueles que se vendiam na loja do Centro, muito em voga no meio dos pretendentes a jogadores da bola. Não me lembro que tivesse usado aquilo na altura em que já assaltava casas e vendia ganzas à porta da escola com o primo que acabou por morrer do bicho. Não me reconheceu. Mal o reconhecia no meio da cara bexigosa e da barba de doente em estado terminal. Desta vez nem me cravou e seguiu rua fora na direcção de casa. Eu também.

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Todas as pequenas cidades têm histórias gravadas em cada canto. Conhecemos todas as portas e nelas lembramos um beijo, um abraço, uma discussão, uma fuga – nossos e dos outros. E então, quando regressamos, é como se estivéssemos a ver um filme, como se cada porta fosse uma tela. A memória dispara e respira-se com dificuldade depois de um frio que nos põe em sentido. Depois dos créditos finais: a rua concreta, os velhinhos cada vez mais velhinhos e o cheiro do mofo do Salão Paroquial que se espalha pelas madeiras com mais idade. Os chineses passeiam auto-confiantes como ocidentais autênticos e os tolos da vila projectam a apatia de um Domingo à tarde. Na avenida, os rapazes que foram trabalhar na indústria que ainda não fechou enchem o peito ao entrar nos carros novos. Passaram a vida a ver topos de gama em revistas e a avaliar todos os pormenores do tunning, mas o dinheiro só dá para a prestação de um carro europeu, dos mais baratinhos, de onde o som sai em chamas. Olhem todos para ele: o sucesso de uma das mais pequenas ruas de um subúrbio provinciano. As raparigas andam pelos passeios na urgência do final de tarde e desfilando a sua estética de hair-designer, como diriam na grande cidade, afastam todo e qualquer desejo de regressar.

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regressar a casa

I swear I recognize your breath
Memories like fingerprints are slowly raising
me, you wouldnt recall, for I’m not my former
It’s hard when you’re stuck upon the shelf
I changed by not changing at all, small town predicts my fate
Perhaps that’s what no one wants to see
I just want to scream…hello…
My god its been so long, never dreamed you’d return
But now here you are, and here I am
Hearts and thoughts they fade…away.

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um frio nos pés II

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um frio nos pés

O cansaço do fim de tarde é, sobretudo, o cansaço da existência. Não é a tristeza de Amália ou o Medo de Existir de José Gil, mas antes uma melancolia que nasce com um frio nos pés. O humor, a energia e a vontade são sacrifícios que a grande maioria não está disposta a fazer. E o frio vencerá.

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