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Archive for Janeiro, 2013

o cidadão comum

Não valerá a pena continuar. Está muito frio. Inácio esgotou o tema de conversa. Diz-se cansado do ruído das notícias e já não quer saber. Nem do governo, nem dos impostos, nem da Europa – não quer saber. Esta é a sua nova alvorada, o nascer dos dias que aí vêm. Passeará pelos dias como se fosse domingo. Dedicar-se-á à melancolia dos movimentos simples. Nunca o apanharão vivo.

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Houve um tempo em que viajava com o meu pai. Ficávamos em hotéis e jantávamos todos os dias fora. Durante o dia, ele visitava clientes e eu ficava à solta por Lisboa. E lá ia eu, na 5 de Outubro à Av. de Berna, com todo o tempo. Tentava parecer um local: andar cool, lento, despreocupado mas observador. Sonhava, então, em ser qualquer coisa que me permitisse sair do trabalho e sentar-me num bar, com os amigos, a beber um uísque. Sim, quando for grande quero ter o prazer de sair do trabalho, todos os dias, e ir aproveitar a cidade. Ser adulto significava essa liberdade de estética conservadora e melancólica. Ficava fascinado com os bares dos hotéis: as raparigas a fazer conversa com os homens de negócio, de pernas cruzadas, em constante sedução; o fumo lânguido dos cigarros; os copos Old Fashioned a reluzirem. Achava eu que seria assim, com todo o tempo. Mas, depois, um tipo cresce e há compras para fazer e jantar em casa, há o cansaço e as horas extra. A grande ilusão é a de que conseguimos ser igualmente conservadores aos 15 e aos 30.

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os malefícios da fama

Mozart tem vivido uma situação muito complicada. O seu prestígio é alvo fácil de actos de comércio. O seu talento é caricaturável. A sua honra desvaneceu-se no tempo. Quando comentei isto com uns amigos, disseram-me sem hesitar: “Ah! Tal e qual o Michael Jackson.” É uma crise séria, a que enfrentamos. Urge salvar Mozart.

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horizonte

Tenho pensado em mudar-me para a província. Este poderá, até, ser um bom plano para um futuro próximo. É claro que fica sempre bem querer mudar para o campo no estrangeiro, já que o campo, por cá, é bruto, pouco sofisticado e aborrecido. Ainda assim, continuo a preferir o sossego da lezíria. E não é que algo me mova contra a cidade mas, sou mais um rapaz do campo do que um homem da cidade. Não tenho jeito para agendas, estacionamento e trânsito de rotina; não me adapto às novidades e é raro suportar as conversas da urbanidade. Gosto do tempo sem desperdício e de aproveitar as horas a passarem no horizonte.

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