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Archive for Agosto, 2010

dupla

nasci para ouvir isto. nasci para ser isto.

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After analyzing reams of data from earlier studies, the UBC team found that WEIRD people reacted differently from others in experiment after experiment involving measures of fairness, anti-social punishment and co-operation, as well as visual illusions and questions of individualism and conformity.

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esta cidade II

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Esta cidade

Tenho quase a certeza que a cidade foi desenhada cirurgicamente pelas notas melancólicas do romantismo. As suas luzes são reflexos e reflectem em adagietto. A sua noite é vagarosa e triste, mas sempre terna, como uma mãe. Nasci para olhar esta cidade.

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“E insistiu em examiná‑la, com manifesta vontade de rir. E com razão. Pois a pseudofada parecia… Parecia, não. Era… Era mesmo um homem vestido de mulher, como se deduzia no desarrumo da cabeleira postiça à banda, no negror evidente da barba mal disfarçada por várias camadas de pó‑de‑arroz, além da maneira canhestra e hirta de andar e da falta daqueles mil e um ademanes femininos tão difíceis de imitar pelos homens. O jeito de pentear os cabelos com os dedos, por exemplo. Embora não desejasse humilhá‑lo, João Sem Medo não evitou um incondescendente riso de chacota.
– Que queres, filho? – explicou a fada falsificada, vexadíssima, a tropeçar na túnica. – Quando telefonaram para a Repartição da 3.ª Mágica a requisitar uma funcionária, só me encontrava lá eu, que sou contínuo, e uma fada já muito velhinha, muito perra, entrevada de reumatismo e com mais de 50 000 anos de serviço activo, quase na idade da reforma por inteiro, coitadinha! E então, por uma questão de prestígio, ofereci‑me para esta fantochada. Nem quero pensar no que diria o Mago‑Mor se não mandássemos uma fada válida para os Dois Caminhos. Pregava‑nos uma descompostura tremenda. Foi por isso que me mascarei e vim… Não julgues, porém, que não percebo de artes mágicas!E estadeou cheio de soberba vaidosa:
– Aqui, onde me vês, transformo com um piparote homens em ratos. E até deito flores pela boca. E sapinhos… Queres ver?
– Não, não – interrompeu João Sem Medo. – Acredito. Embora não entenda porque, sabendo tu tanto de artes mágicas, não te transfiguraste logo em mulher em vez de recorrer a esses ridículos caracóis postiços.
– Porque, segundo a regra primeira da Constituição Secreta do Mundo, só as aparências são susceptíveis de mudança e nunca o que existe de mais profundo nos seres. O sexo, por exemplo. Por mais que isso te espante, ser‑me‑ia fácil transformar‑te em rato, mas nunca em rata.
– Bem, bem. Deixa‑te de lérias – impacientou‑se João Sem Medo. – E, já agora, toma a sério o teu papel de fada e aconselha‑me qual dos caminhos devo seguir: o asfaltado ou o dos pedregulhos?
– Olha, menino – elucidou o contínuo, de roca debaixo do sovaco, a aconchegar a cabeleira para esconder melhor o luzidio da careca –, o bom caminho conduz à Felicidade. E o mau, à infelicidade…
– Vou pelo bom caminho, como é costume, claro – resolveu João Sem Medo, embora desconfiado de tanta facilidade aparente. – O contrário seria idiota e doentio.”

José Gomes Ferreira, Aventuras de João Sem Medo, Panfleto Mágico em Forma de Romance

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110

Perdemos três coisas ao não ler o Eça: capacidade de auto-crítica, interpretação de figuras de estilo (e que jeito dava nesta internet de iletrados e de despropósitos) e compreensão subjectiva do meio. Perdemos, portanto, uma parte fundamental da adaptação à vida em comunidade. E o cenário mantém-se o mesmo.

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de agosto

No dia que lhe arranjaram para celebrar o seu breve regresso a casa, o emigrante desabafa. O luxo inicial que traz lá de fora leva-o a elogiar esse mundo evoluído e progressista, tão distante de um Portugal atrasado e conservador. Vocês aqui, sempre na mesma desgraça. Mas o almoço vai longo, o sol já queima e o cheiro a casa deixa-o melancólico, acabando por contar como a vida lá é difícil, como há impostos e taxas para tudo, como as pessoas se distanciam dos outros e até de si mesmas, como não há nada como casa. O emigrante estereotipado vs. o jovem qualificado que parte à descoberta do mundo e se vê agora confrontado com o paradoxo da diferença, que se vê a braços com um sentimento estranho de saudade porque nunca compreendeu que noutro lugar nada será igual. E isso não é necessariamente bom. Como diria Caeiro, “Eu sou do tamanho daquilo que vejo e não do da minha altura”.

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