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Posts Tagged ‘tempo’

beautiful boy

continuas a viagem e ouves o john lennon. está sol mas, se não fosse a escuridão nunca degustarias a luz. e depois o mar, que é como uma estrada sublime. já não sonhas com nova iorque, porque há poesia suficiente na tua rua.

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no meio da mudança, uns estão genuinamente perdidos, outros fingem não estar. estes últimos nunca entenderão que só a assumpção do desnorte nos obriga a encontrar o rumo. parecerão fortes – sim – nas salas vazias.

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the day i tried to live

já chegaste a uma idade em que não compensa acordar tarde. acabou. e, agora, sabes que podes aproveitar os domingos de manhã para arrumar os dias. devias escrever mas, preferes ficar a olhar para a janela, com a palma da mão sob o queixo, a ver a rua pelo cortinado. ficas ali, a pensar na liberdade, no amor e na lista de compras. decisões fáceis para um domingo: a lista de compras, sempre.

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timelapse II

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timelapse

Dormir, para voltar a acordar, para voltar a dormir, para acordar novamente. Pelo meio, umas horas com sol ou com chuva, a luz a mudar devagar, as pessoas a irem de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Abre a porta, fecha a porta, abre a porta, fecha a porta. Próxima paragem. Sempre assim, sempre assim. Um tédio.

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que dia foi este noutros anos? se ao menos me lembrasse que dia foi. vejo-lhe a forma nas nuvens e no vento frio; as searas angustiadas, o coração apertado, a estrada a estilhaçar, isolada. é uma aflição sem causa, adolescente. que este desassossego tem qualquer coisa de bom. lembra-me um sonho lindo, quase acabado.

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a geometria dos poderes

separei os poderes para me focar nas distintas matérias sem interferência, sem distracções. cheguei a um triângulo de ângulo obtuso, do qual depende a minha permanência por aqui.

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no direction home

de ossos e nervos contraídos e cansados, arranca-se um fim-de-semana a ferros. não ter um sítio para cair e andar por aí a tentar ficar de pé é bem mais desgastante. acho, até, que já nem sei dançar.

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15 anos de Borges

A 14 de Fevereiro telegrafaram-me de Buenos Aires para que voltasse imediatamente porque o meu pai não estava “nada bem”. Deus me perdoe; o prestígio de ser destinatário de um telegrama urgente, o desejo de comunicar a todo o Fray Bentos a contradição entre a forma negativa da notícia e o peremptório advérbio, a tentação de dramatizar a minha dor, fingindo um viril estoicismo, talvez me tenham distraído de toda a possibilidade de dor.

Jorge Luis Borges, Funes, el memorioso

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O amolador passa lentamente pelo feriado soprando na flauta de pan com a desmotivação dos tempos. Não se vê ninguém à janela. Quem quer saber do amolador de facas no tempo da Bimby e do Ikea. Os guarda-chuvas?! Ou já perdemos a paciência e os largámos na rua ou então estimamo-os demasiado para os destruir. E lá passa ele como o cortejo fúnebre de um mal-amado. Já mal o ouço… E pronto, foi-se. Agora que me dava tanto jeito afiar as facas do peixe…

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Não há novidades. Não às novidades! Nas cidades pequenas quer-se tudo muito igual. Mantenha-se para que sobreviva às ameaças do mundo. A mudança está nas caras envelhecidas que escarram pelas ruas, zonzas de olhos vidrados. Outros foram os tempos de boémia e deboche de violência. Mais além, um grupo de rapazes vai cuspindo para o chão, que é diferente do escarrar, porque o cuspir é um acto voluntário de afirmação e o escarrar uma inevitabilidade da saúde e da falta de consciência mórbida. Não fazem mais nada senão cuspir e ali ficam encostados à montra da papelaria, mesmo ao lado da escola, a meterem-se com os putos e mandar piropos a miúdas com menos 6 ou 8 anos, convencidos da magnitude que os velhos julgavam ter na sua idade e que acaba na mais deprimente das decadências. Joel sai do tasco da esquina e dobra-a por instinto. Vai de cabeça baixa e andar arrastado com as mãos metidas nos bolsos do casaco de um fato de treino com mais de 15 anos. Eram daqueles que se vendiam na loja do Centro, muito em voga no meio dos pretendentes a jogadores da bola. Não me lembro que tivesse usado aquilo na altura em que já assaltava casas e vendia ganzas à porta da escola com o primo que acabou por morrer do bicho. Não me reconheceu. Mal o reconhecia no meio da cara bexigosa e da barba de doente em estado terminal. Desta vez nem me cravou e seguiu rua fora na direcção de casa. Eu também.

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Todas as pequenas cidades têm histórias gravadas em cada canto. Conhecemos todas as portas e nelas lembramos um beijo, um abraço, uma discussão, uma fuga – nossos e dos outros. E então, quando regressamos, é como se estivéssemos a ver um filme, como se cada porta fosse uma tela. A memória dispara e respira-se com dificuldade depois de um frio que nos põe em sentido. Depois dos créditos finais: a rua concreta, os velhinhos cada vez mais velhinhos e o cheiro do mofo do Salão Paroquial que se espalha pelas madeiras com mais idade. Os chineses passeiam auto-confiantes como ocidentais autênticos e os tolos da vila projectam a apatia de um Domingo à tarde. Na avenida, os rapazes que foram trabalhar na indústria que ainda não fechou enchem o peito ao entrar nos carros novos. Passaram a vida a ver topos de gama em revistas e a avaliar todos os pormenores do tunning, mas o dinheiro só dá para a prestação de um carro europeu, dos mais baratinhos, de onde o som sai em chamas. Olhem todos para ele: o sucesso de uma das mais pequenas ruas de um subúrbio provinciano. As raparigas andam pelos passeios na urgência do final de tarde e desfilando a sua estética de hair-designer, como diriam na grande cidade, afastam todo e qualquer desejo de regressar.

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espectacular idade

Nos arredores dos 30 sentimos um certo problema de equilíbrio. Somos demasiado novos e demasiado velhos. Como dizia Buckley “too young to hold on and too old to just break free and run”. É excesso de vontade misturado com a falta de pernas. Há quem não aguente e perca a noção do ridículo. Há quem acumule tensões e deprima. Chamam a esta gente os pré-adultos, mas nunca ninguém lhes explica que a angústia não passa no estádio seguinte.

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galego do sul

Esta cidade tem demasiado sol. Por isso, quando nasce Outubro, gostava de ter nascido lá onde as serras se erguem em tonalidades outonais, as mulheres têm os olhos verdes e o peito quente, e onde as tardes são como cobertores. Home is where the heart is, dizem. E no Outono eu gosto do Minho.

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Sento-me na varanda a aguardar o Outono. Os dias a diminuir, a brisa a gelar a pele, as vozes a desaparecerem no bairro, as janelas fechadas e nem um som das televisões. Setembro é como um crepúsculo que se perpetua, um eterno final ou um velho cobertor que aconchega o sossego e devolve a civilidade ao corpo.

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mudam-se os tempos…

Passam sempre dez anos de qualquer coisa todos os dias. Nuns mais do que noutros. E nem sempre a mudança é positiva. Mas é mudança e a resignação é inevitável.

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trailer park

O Verão chegava agora  como uma espreguiçadeira de tempo. E antes de tudo começar já éramos felizes e pensávamos em viver para sempre numa caravana no meio do nada, só nós e os gestos delicados e o segredo dos teus olhos verdes e dos meus que ficavam cada vez mais castanhos de tanto olhar a terra que se estendia até ao horizonte. Depois, todos os horizontes seriam iguais e ali ficávamos parados com a riqueza do tempo e do espaço, com a fortuna das canções e das mãos que se entrelaçavam naquela eternidade estival.

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virar a página

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Ela diz-me em conversa que só aproveitamos as vistas quando as olhamos de vez em quando; que a regularidade as banaliza. Não posso estar mais em desacordo. Para que serviriam as vistas se apenas desfrutássemos delas visualmente? O seu desfrute é algo que sentimos na pele, na qualidade dos dias e na certeza das horas.

Houve um tempo em que, com outros, descia em direcção ao mar, todos os dias, quase sempre pela mesma hora. Pelo meio das casas e das árvores a ideia de mar crescia assim como a luz que se refastelava sobre a praia. Já nem ligávamos, é certo. Mas a verdade é que o gozo do caminho, a certeza da paisagem e o seu efeito pavloviano que tinha em cada passo nosso tornavam os dias melhores.

Não é a regularidade da paisagem que lhe tira a emoção, mas sim a ditadura da novidade.

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wishful thinking

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