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Posts Tagged ‘chuva’

Chuva

O céu vai cair sobre Lisboa. Ouvem-se sirenes e não se avista ninguém na rua. Um homem abriga-se debaixo de um reclame de uma loja de electrodomésticos e fica ali a aguardar. É o único. Os carros circulam com mais receio do que cautela e as ruas são rios violentos. Não pára de chover e a sensação que dá é que o céu vai cair sobre Lisboa.

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cobertores

do cliché habitual das tardes de chuva à janela sobra a certeza de que há sempre muita coisa para ver. a melancolia é o melhor dos cobertores.

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do domingo a uma segunda-feira

toda a poesia sobre a chuva é deprimente. a chuva não tem de ser necessariamente melancólica. neste preciso momento olho a janela marcada pelas gotas grossas do temporal e sinto apenas preguiça. uma preguiça de animal doméstico que, deitado no parapeito, apenas se dá ao trabalho de levantar o sobrolho quando troveja. passo horas nisto.

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These are the seasons of emotion and like the winds they rise and fall
This is the wonder of devotion – I seek the torch we all must hold.
This is the mystery of the quotient – Upon us all a little rain must fall…It’s just a little rain…

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domingo no burgo

Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville.

Verlaine

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da chuva

deixo a janela aberta. lá fora, e já quase aqui dentro de casa, a chuva cai serena, convicta. a mesma chuva que molha, que mói, que causa a doença e a morte, que destrói. poderia pensar que a chuva nos odeia. mas a chuva não odeia. ela aparece por necessidade. dela e nossa. encontro na chuva mais prazer do que necessidade e fico a pensar que até mesmo a vida é, muito mais vezes, uma necessidade em vez de um prazer. enrolo-me nesse cliché patético, como o são todos os clichés, e metaforizo deus no sentido de vida e por aí fora. faço isto insistentemente, vezes demais. começo a aborrecer-me com o misticismo serôdio deste blog e em particular deste texto. é então que lembro o que canta o manel cruz* e volto ao início do que me trouxe até aqui: a chuva é mais uma necessidade do que um prazer.

*”embora lave o medo que há do fim a chuva apaga o fogo que há em mim. ouço a voz de quem me quer tão bem e fico a ver se a chuva a ouvirá também.”

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