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Archive for Junho, 2010

ou então

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da ilusão ao plágio

Talvez seja mitomania. Era de prever que acontecesse. Aquelas roupas, aquele isolamento todo. Page – o supra-sumo – não podia estar sozinho no seu génio e um outro ele, perturbado, criava convicções erradas acerca de si próprio. “Sou tão bom que só eu poderia fazer isto”. E agora, um ladrão, um mísero ladrão. Que Deus me perdoe, mas é verdade.

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A ilusão nataliana

Odeio o kitsch e desprezo o trendy. Quem dá valor a estas coisas não dá valor à arte. Estas são características semelhantes às da fanfarronice e da futilidade arrogante e que, no fundo, não deixam de ser uma ignorância mais sofisticada. Ninguém tem o direito de usar a ilusão dos outros e a falta de sentido de realidade para seu gozo pessoal e exibicionismo macabro.

Natália de Andrade faz lembrar aqueles miúdos que hoje entram em concursos de talento na televisão, empurrados pelos pais, na cegueira da fama. É-lhes dada a ilusão do talento, do seu próprio talento, e neles é projectada uma expectativa doentia. Depois, como Natália, crescem nessa ilusão que se alastra até à total perda de noção da realidade. Então, só restam dois finais. No primeiro mantêm a ilusão até à hora da morte. No segundo são confrontados com o ridículo através do gozo alheio.

Mas que direito tem alguém de ridicularizar a ilusão? E será que, até mesmo no limite da humanidade, deverá ser alguém afastado da sua ilusão e atirado para um mundo que – entenderá, então – não o quer?

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por falar nisso…

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“Tenho calor na memória”, dizia o Vergílio. E nada há de mais verdadeiro do que isso quando na rua, num Junho ameno, o desconforto invade o corpo como se o calor fosse de tal forma insuportável que se torna impossível respirar sem a ansiedade nostálgica que cresce pelas ruas onde andámos, pelos cinemas em que ficámos, nas histórias que contámos ou nos sonhos sinceros e legítimos que partilhámos e que ainda hoje correm como cotão por toda a cidade. Apetece-me o Cesariny.

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

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Velhos lugares

“Desde que chegou ao Parlamento, em 1998, Gillard foi julgada e escrutinada em todos os aspectos da sua vida pessoal e até características físicas, da voz nasalada ao pronunciado sotaque australiano (ela que até nasceu no País de Gales e é a segunda líder do país que não nasceu na Austrália), passando pela sua escolha de roupa e penteado e, acima de tudo, pelo facto de ser uma mulher sem filhos. Em 2007, o senador liberal Bill Heffernan provocou uma polémica ao afirmar que uma mulher “deliberadamente estéril” não podia conduzir os destinos do país e que ter filhos a ajudaria a compreender melhor as necessidades dos australianos.”

Também eu já ouvi destas. “Não tens filhos, não sabes”. “Se tivesses filhos pensarias de outra forma”. São lugares comuns de quem tem pouco mundo e julga o mundo dos outros pelo seu, muitas vezes cheio de rancor e mesquinhez. Deve ser pior quando se é mulher. Não, não tenho filhos. Mas se os tivesse era incapaz de os educar com esta mentalidade.

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domingo no burgo

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