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Posts Tagged ‘meteo’

nos dias cinzentos

o problema da resignação é um resquício agudo de angústia que fica lá, sempre. não há nada a fazer. é assim mesmo. carry on. mas por mais que a directiva funcione, fica esta sensação de indefinição. por mais que se tente.

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trimm trabb

os meus ténis são verdes e amarelos. às vezes, quando olho para eles, nos dias cinzentos, lembro os dias de sol. são dias que se acabam, luz que expira. ficam só a memória e os ténis verdes e amarelos. e já não se pode voltar atrás.

“I’ve got trimm trabb
Like the flash boys have
And I can’t go back
Let it flow, let it flow
I sleep alone”

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chuvas de agosto

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falar do tempo

L. não leva a conversa sobre o tempo de ânimo leve. Sempre que o encontro, na hora do almoço, fala-me da influência das nortadas no sucesso do turismo balnear. Se o sol se apresenta mais forte, não hesita em trazer à colação os riscos da seca e a grande problemática agrícola. E ao contrário do que seria de esperar, não evito o comentário meteorológico na sua presença. Nunca gostei de conversas de conveniência.

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monção

“Designação dada aos ventos sazonais, em geral associados à alternância entre a estação das chuvas e a estação seca, que ocorrem em grandes áreas das regiões costeiras tropicais e subtropicais. A palavra tem a sua origem na monção do Oceano Índico e sudeste da Ásia, onde o fenómeno é particularmente intenso. A palavra também é usada como nome da estação climática na qual os ventos sopram de sudoeste na Índia e países próximos e que é caracterizada por chuva intensa. Embora também existam monções em regiões subtropicais, por extensão, a designação de climas de monção ou climas monçónicos (tipo Am na classificação climática de Köppen-Geiger), é utilizada para designar o clima das regiões tropicais onde o regime de pluviosidade, e a consequente alternância entre estações seca e chuvosa, é governado pela monção.”

da wikipedia

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que dia foi este noutros anos? se ao menos me lembrasse que dia foi. vejo-lhe a forma nas nuvens e no vento frio; as searas angustiadas, o coração apertado, a estrada a estilhaçar, isolada. é uma aflição sem causa, adolescente. que este desassossego tem qualquer coisa de bom. lembra-me um sonho lindo, quase acabado.

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as flores do mal

Por detrás dos muros do Palácio, há uma rua com jacarandás. Os jacarandás anunciam, agora, a chegada da Primavera tal como sempre a conhecemos. O sol aquece o dia, ainda alto, e o calor que se faz sentir é rápido. Ainda assim, hoje senti o primeiro cheiro da Primavera. Regressou alguma passarada e estão, também, de volta as roupas ligeiras. Ao meu lado, ele lamentava as perdas irreparáveis no seu olival e na vinha – consequências da falta de chuva. Também os carros ficarão imundos por causa dos jacarandás e os danos serão irreparáveis se sobre eles não cair um peso de água. Sim, é verdade: aí está a Primavera. Mas, isso não é necessariamente bom.

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lembrei-me de ti, hoje. as primeiras manhãs da primavera nunca são bonitas fora das searas. nem sequer existe mais silêncio do que o teu silêncio. a cidade nunca me deslumbrará por isso mesmo. fiquei a pensar em como ainda admiro a tua coragem. é para isso que servem os irmãos mais velhos, para os admirarmos.

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dead combro

Não me apercebi do tamanho do frio até ela passar por mim com a face rosada e a pele branca quase a desaparecer por entre o cachecol verde e a boina castanha. Era um frio muito grande. Enfiei as mãos nos bolsos do casaco enquanto voltava a olhar e sorri, porque convém sempre sorrir com as dádivas da invernia. Desci e, de repente, um nevoeiro cerrava toda a colina da frente como se fosse ali decretada a morte da calçada, o fim derradeiro da vertiginosa rua que outrora se estendera até S.Bento. Nunca antes assistira a tal coisa – uma Lisboa londrina para sempre.

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Chuva

O céu vai cair sobre Lisboa. Ouvem-se sirenes e não se avista ninguém na rua. Um homem abriga-se debaixo de um reclame de uma loja de electrodomésticos e fica ali a aguardar. É o único. Os carros circulam com mais receio do que cautela e as ruas são rios violentos. Não pára de chover e a sensação que dá é que o céu vai cair sobre Lisboa.

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um frio nos pés II

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um frio nos pés

O cansaço do fim de tarde é, sobretudo, o cansaço da existência. Não é a tristeza de Amália ou o Medo de Existir de José Gil, mas antes uma melancolia que nasce com um frio nos pés. O humor, a energia e a vontade são sacrifícios que a grande maioria não está disposta a fazer. E o frio vencerá.

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HCB

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Sento-me na varanda a aguardar o Outono. Os dias a diminuir, a brisa a gelar a pele, as vozes a desaparecerem no bairro, as janelas fechadas e nem um som das televisões. Setembro é como um crepúsculo que se perpetua, um eterno final ou um velho cobertor que aconchega o sossego e devolve a civilidade ao corpo.

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domingo no burgo

depois da noite nebulosa de fumo e da velocidade com que os copos enchem, depois das ruas mijadas e da decadência a escorrer do passeio para as sarjetas do progresso, depois dos tombos e dos gritos desproporcionais, depois de tudo isto, a manhã e o céu azul. e agora a tarde luminosa que preenche todos os cantos da cidade e as tuas cores em toda a parte.

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do domingo a uma segunda-feira

toda a poesia sobre a chuva é deprimente. a chuva não tem de ser necessariamente melancólica. neste preciso momento olho a janela marcada pelas gotas grossas do temporal e sinto apenas preguiça. uma preguiça de animal doméstico que, deitado no parapeito, apenas se dá ao trabalho de levantar o sobrolho quando troveja. passo horas nisto.

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jano e o deserto

janeiro sempre foi um mês deserto. e tal como o deserto, janeiro é profícuo em criar ansiedade. longo, lento, seco e com um horizonte que parece não se alterar com o nascer dos dias. o mês que se plantou na minha janela trouxe de novo o melro preto, mas poucas mais novidades. só silêncio e inquietação. só agora compreendo o carnaval.

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domingo no burgo

Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville.

Verlaine

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em avalon o frio é um luxo. a tendência é relacionar o conforto com o calor. mas, o único descanso que esta pobre alma atormentada pode ter só acontece quando faz frio e estão reunidas um conjunto de circunstâncias pouco exigentes: um livro, um caderno, um disco, um chá ou um uísque, um passeio pelo parque e as tonalidades melífluas do outono. no fundo, avalon, em si mesma, é um capricho conservador para quando tudo desabar ou talvez para quando a impossibilidade derivar da impotência. não é uma fuga, é uma preferência.

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